quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Eu quero falar desse Kevin


Resolvi bancar a crítica de cinema e fazer resenha de filmes. Não sou nenhuma Isabela Boscov e tampouco cinéfila, mas gosto de assistir filmes, tenho prazer nisso.  O abre alas é o thriller psicólógico Precisamos Falar Sobre o Kevin ( título original: We Need To Talk About Kevin - tradução fiel ao título Aleluiaaaaas!).


Sinopse: Eva (Tilda Swinton) é mãe de Kevin (Ezra Miller), adolescente que cometeu assassinato em massa em sua escola. Sem conseguir entender as ações do filho, ela tenta lidar com sua dor e o sentimento de culpa, por se sentir responsável pelo fato.

Crítica by myself: Esse é o tipo de filme que trata sobre o ponto de vista da família de um sociopata. As vítimas aqui são anônimas, mal aparecem. Me arrisco a dizer que são irrelevantes. Talvez nunca paramos para analisar a posição dos pais perante a sociedade, após os atos de seus filhos. Você já parou para pensar no que sentem a família dos Nardoni? Ou do Lindemberg? Até que ponto a educação dada pelos genitores influenciam no caráter dos filhos? Nas suas escolhas para o futuro? A mente humana é uma incógnita e capaz das maiores atrocidades sem necessariamente ter um motivo aparente.
A narrativa não é linear, ou seja, transita entre passado e presente. Uma construção aleatória, porém inteligível, não permitindo que o expectador se perca. Vemos a tentativa de Eva em se adaptar a uma nova realidade após um ato insano de seu filho adolescente mesclada com o crescimento do menino e a difícil relação entre mãe e filho.

Nas primeiras horas após término do filme é quase impossível não ficar com pânico da paternidade, sério. Misturado ao questionamento do porquê o filme não estar entres os indicados ao Oscar. E por falar em Oscar, se houvesse uma categoria  Melhor Olhar de "sou pertubado, me leve para a Universal urgentemente", certamente iria para Ezra Miller. Duvida? Clique aqui. E o que dizer da Tilda Swinton? Aquela atriz com aparência andrógena que assusta um pouco. Atuação visceral, orgânica. É quase possível sentir o desespero e a agonia junto com ela. 

De um ponto de vista pessoal, não posso deixar de pensar em como Deus fez falta a essa família. Como deve ser difícil passar por uma tragédia sem se agarrar 'em algo que é maior do que você'.             
Um soco na boca do estômago. Acredite, você vai querer falar muito sobre o Kevin.    

1 comentários:

Ronni Anderson disse...

Engraçado que a personalidade dele se delineou independente dos pais, isso é característico de psicopatas. Assisti a uma entrevista de uma psicóloga uma vez, na qual ela ressaltava justamente isso e pregava que pessoas diagnosticadas como tal deveriam ser retiradas da sociedade. Estranho de dizer, mas compreensível, após assistir a esse filme.
O pai, infelizmente, pagou o preço pela cegueira.
Estou intrigado até agora com o final.Surpreendente, posso dizer. E formulei algumas teorias, mas não comentarei aqui.
No mais, com certeza, Deus fez falta. Ele muda toda e qualquer situação e auxilia nos piores momentos.
Inclusive, há uma referência a Deus no filme. E a protagonista descarta de cara a ideia de aceitá-lo. Infelizmente, é o que acontece.
Obrigado pela indicação, Mel. Falremos muito ainda sobre o Kevin.

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